Lady Marmalade

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Ervas aromáticas dentro de casa: como criar uma pequena horta que realmente sobrevive

Há uma diferença considerável entre ter ervas aromáticas na cozinha e ter cinco pequenos vasos em diferentes fases de morte junto à janela.

Eu já percebi que a fotografia é a parte fácil.

A parte interessante é criar um pequeno sistema que funcione: escolher ervas compatíveis com a luz que realmente temos, perceber que nem todas querem a mesma quantidade de água, colher regularmente e aceitar que uma cozinha luminosa não é necessariamente uma cozinha com sol suficiente para cultivar tudo.

Ainda assim, é perfeitamente possível manter várias ervas aromáticas dentro de casa.

E vale a pena.

Ter salsa, cebolinho ou hortelã disponíveis muda pequenas decisões na cozinha. Um prato simples ganha sabor sem precisar de molhos complicados; uma sopa muda com ervas frescas; uma salada deixa de depender exclusivamente do tempero habitual; umas folhas de hortelã podem entrar numa salada, num molho ou numa bebida.

Mais importante: cultivamos precisamente aquilo que podemos colher.

E essa pequena ligação entre vaso, cozinha e prato é uma das formas mais simples de tornar a casa um pouco mais funcional.

Primeiro: “luz” e “sol” não são a mesma coisa

Este é provavelmente o ponto mais importante para quem quer cultivar aromáticas dentro de casa.

Uma divisão pode parecer muito luminosa aos nossos olhos e, ainda assim, oferecer bastante menos luz do que uma planta receberia no exterior.

Além disso, existe uma diferença entre luz indirecta abundante e várias horas de sol directo.

Algumas aromáticas toleram relativamente bem um interior luminoso sem incidência directa de sol. Outras sobrevivem, mas crescem mais lentamente ou tornam-se menos vigorosas. E há espécies mediterrânicas que preferem claramente bastante sol e tendem a sofrer quando são mantidas permanentemente num interior pouco luminoso.

Por isso, antes de comprar vasos, observe a cozinha.

Onde nasce e se põe o sol?

A janela recebe sol directo?

Durante quanto tempo?

Existe apenas claridade?

Há edifícios, varandas ou árvores a bloquear a luz?

A melhor horta interior começa por esta observação e não pela lista de ervas que gostaríamos de ter.

As melhores ervas aromáticas para interiores luminosos sem muito sol directo

1. Hortelã

Se tivesse de escolher apenas uma aromática para começar, a hortelã estaria muito perto do primeiro lugar.

É vigorosa, útil e relativamente tolerante. Prefere boa luminosidade, mas pode adaptar-se melhor a condições de luz indirecta do que muitas das aromáticas tipicamente mediterrânicas.

Também aprecia alguma humidade no substrato, embora isso não signifique manter a terra constantemente encharcada.

Há ainda uma razão muito prática para a cultivar em vaso: a hortelã espalha-se vigorosamente. No exterior, quando plantada directamente no solo, pode ocupar muito mais território do que aquele que lhe tínhamos atribuído diplomaticamente.

Num vaso, fica contida.

E existem muitas variedades interessantes: hortelã-pimenta, hortelã-verde, hortelã-chocolate e outras cultivares, com aromas e intensidades diferentes.

Na cozinha pode entrar em saladas, molhos de iogurte, ervilhas, pratos de inspiração mediterrânica ou do Médio Oriente, águas aromatizadas e infusões.

2. Salsa

A salsa é uma excelente candidata a uma pequena horta de cozinha porque tem uma utilização enorme na alimentação portuguesa.

Aprecia bastante luminosidade e pode desenvolver-se junto de uma janela luminosa, mesmo quando as condições não são as de uma varanda soalheira.

A rega deve manter alguma regularidade sem transformar o vaso num pântano.

Na altura de colher, não retire apenas algumas pontinhas ao acaso. Corte os caules exteriores mais desenvolvidos perto da base e permita que o centro continue a produzir crescimento novo.

E use-a.

Uma horta aromática doméstica não é um jardim ornamental em miniatura. Colher faz parte do processo.

3. Cebolinho

O cebolinho ocupa pouco espaço, é fácil de usar e permite colheitas sucessivas.

Pode ser cultivado num vaso relativamente pequeno, desde que tenha drenagem e luz suficiente.

Quando precisar dele, corte algumas folhas deixando a base intacta para permitir novo crescimento.

É particularmente útil para ovos, batata, sopas, saladas, queijo fresco, molhos à base de iogurte e pratos onde queremos um sabor próximo da cebola, mas mais delicado.

É exactamente o tipo de planta que justifica ocupar espaço numa bancada: pequena, produtiva e utilizada com frequência.

4. Erva-cidreira ou Melissa

A Melissa officinalis tem um aroma cítrico muito característico e pode adaptar-se a condições menos soalheiras do que várias aromáticas mediterrânicas.

Pode crescer bastante, portanto não se deixe enganar pelo pequeno vaso em que muitas vezes é vendida.

É utilizada tradicionalmente em infusões e também pode ser incorporada, em pequenas quantidades, em algumas preparações culinárias.

Há, contudo, uma distinção importante: usar uma erva ocasionalmente como alimento ou infusão doméstica não é o mesmo que utilizar preparações concentradas com finalidade terapêutica. Na Lady Marmalade, a tradição não substitui segurança nem evidência; quando entramos no território da fitoterapia, indicações, contraindicações e limites devem ser considerados.

5. Louro

O loureiro é uma escolha diferente das anteriores porque estamos, na realidade, a cultivar um arbusto.

Cresce lentamente em vaso e precisa de boa luminosidade, mas pode ser mantido em recipiente durante bastante tempo com os cuidados adequados.

É especialmente interessante numa cozinha portuguesa porque poucas folhas têm tanta utilidade.

Feijão, estufados, assados, molhos, marinadas e muitos pratos tradicionais usam louro.

Não espere, porém, o comportamento de um cebolinho. O loureiro é uma planta de crescimento lento e deve ser pensado como presença de longo prazo.


Ervas que podem crescer dentro de casa, mas vão pedir mais luz

Há depois um segundo grupo: plantas que podemos cultivar em interiores, mas que tendem a responder melhor quanto maior for a luminosidade disponível.

Coentros

Os coentros são maravilhosos e ligeiramente temperamentais.

Precisam de boa luminosidade e têm ainda outra característica importante: são relativamente rápidos a completar o ciclo e a espigar, sobretudo quando as condições favorecem esse processo.

Se os utiliza muito, pode fazer mais sentido semear pequenas quantidades sucessivamente do que esperar que um único vaso forneça coentros eternamente.

Orégãos

Os orégãos gostam de bastante luz e preferem condições relativamente secas quando comparados com hortelã ou salsa.

Num interior muito luminoso podem adaptar-se, mas não escolheria uma divisão escura para eles.

E aqui aparece uma das razões pelas quais não gosto daqueles conjuntos de “horta de cozinha” em que cinco espécies diferentes são plantadas no mesmo recipiente.

As plantas não assinaram o mesmo contrato.

A hortelã e os orégãos, por exemplo, não têm exactamente as mesmas preferências de água.

Tomilho

O tomilho é uma aromática mediterrânica.

Gosta de luz, drenagem excelente e não aprecia permanecer com as raízes constantemente molhadas.

Num interior luminoso pode sobreviver, mas tende a ficar menos compacto quando não recebe luz suficiente.

Se tiver uma janela muito soalheira, tanto melhor.

Manjerona

A manjerona tem necessidades relativamente semelhantes às de outras ervas mediterrânicas: aprecia bastante luz e substrato bem drenado.

Pode ser cultivada dentro de casa quando existe luminosidade suficiente, mas não é a minha primeira recomendação para uma cozinha verdadeiramente escura.


E manjericão, alecrim, sálvia e estragão?

Não significa que seja impossível cultivá-los dentro de casa.

Significa que, sem condições adequadas de luz, é muito mais provável que a experiência seja frustrante.

Manjericão

O manjericão gosta de calor e muita luz.

Num local luminoso e quente pode crescer muito bem, mas uma cozinha escura dificilmente será o seu lugar favorito.

Também não gosta de frio e correntes de ar, o que ajuda a explicar porque um vaso exuberante comprado no Verão pode ter um comportamento bastante diferente alguns meses depois.

Alecrim

O alecrim é uma planta mediterrânica e prefere muito sol, excelente drenagem e circulação de ar.

É precisamente uma das plantas que muitas pessoas regam em excesso dentro de casa.

Se tiver uma varanda ou uma janela realmente soalheira, as probabilidades melhoram bastante.

Sálvia

Também prefere bastante luz e condições bem drenadas.

Tal como alecrim e tomilho, não deve ser tratada como uma planta que gosta de ter permanentemente o substrato húmido.

Estragão

Precisa igualmente de boas condições de luminosidade para se desenvolver adequadamente e não seria a minha primeira escolha para uma divisão com pouca luz natural.


O maior erro: regar todas no mesmo dia

É muito tentador criar uma rotina:

“Domingo é dia de regar as plantas.”

É simples.

Também pode ser uma excelente forma de dar água a plantas que ainda não precisam dela.

A quantidade de água necessária depende da espécie, temperatura, humidade, época do ano, dimensão da planta, tamanho e material do vaso, substrato e quantidade de luz recebida.

No Inverno, por exemplo, muitas plantas crescem mais lentamente e a água pode permanecer no substrato durante mais tempo.

Em vez de regar pelo calendário, observe.

Toque na terra.

Veja o peso do vaso.

Aprenda como aquela planta se comporta.

A hortelã pode pedir água enquanto o tomilho ao lado continua perfeitamente satisfeito.

Não há qualquer obrigação de igualdade hídrica entre vizinhos.


Vasos: bonitos, sim. Com furos, por favor.

Podemos falar de cerâmica artesanal, terracota maravilhosa e conjuntos perfeitamente alinhados depois de resolvermos a parte essencial:

a água precisa de conseguir sair.

Um vaso sem drenagem aumenta o risco de o substrato permanecer encharcado e de as raízes sofrerem.

Uma solução simples é manter a planta num vaso interior com furos e colocá-lo dentro de um cachepot decorativo.

Depois da rega, não deixe água acumulada permanentemente no fundo.

A terracota tende a permitir uma secagem mais rápida do substrato do que recipientes menos porosos, o que pode ser interessante para ervas que preferem condições mais secas.

Mas isso também significa que pode exigir regas mais frequentes.

Mais uma vez: observar é mais útil do que decorar regras.


Não plante tudo no mesmo vaso

Visualmente é encantador.

Na prática, eu prefiro vasos individuais.

Há três razões.

Primeiro, as necessidades de água são diferentes.

Segundo, algumas plantas crescem muito mais vigorosamente do que outras e começam a competir por espaço.

Terceiro, um vaso individual permite substituir, mudar de posição ou tratar uma planta sem perturbar todas as outras.

Se quiser criar a aparência de uma pequena horta conjunta, coloque vários vasos dentro de um recipiente maior ou num tabuleiro bonito.

Tem o efeito visual sem obrigar plantas incompatíveis a uma coabitação forçada.


E as ervas aromáticas do supermercado?

Aqui está outro pequeno mistério doméstico: compramos um manjericão enorme no supermercado e, quinze dias depois, parece que atravessou uma experiência particularmente difícil.

Nem sempre significa que não sabemos cuidar de plantas.

Os vasos de ervas vendidos para consumo podem conter muitas plantas jovens densamente agrupadas num recipiente pequeno e foram produzidos para chegar rapidamente ao ponto de venda com aspecto abundante.

Quando queremos prolongar a sua vida, pode ser necessário dar-lhes mais espaço e melhores condições.

Ao chegar a casa, observe as raízes, o número de plantas, o tamanho do vaso e o substrato.

Em alguns casos, dividir cuidadosamente o conteúdo por dois ou mais vasos pode proporcionar mais espaço.

E, novamente, a luz será decisiva.


Quando não há sol suficiente: luz artificial

Se quer mesmo manter uma horta aromática numa divisão com pouca luz natural, uma luz de cultivo pode ser uma solução bastante mais sensata do que comprar repetidamente plantas que acabam por enfraquecer.

As chamadas grow lights fornecem comprimentos de onda adequados à fotossíntese e permitem complementar a luz natural.

Mas não basta comprar qualquer lâmpada e colocá-la no outro extremo da cozinha.

Importam a intensidade, distância entre a fonte de luz e as plantas e duração diária da iluminação.

Para uma pequena horta doméstica, uma luminária LED de cultivo com temporizador pode simplificar muito o processo.

Um período diário na ordem das 10 a 14 horas pode ser um ponto de partida para muitas situações de cultivo interior, mas a necessidade concreta varia com a planta, potência e distância da luz.

E as plantas também precisam de um período de escuridão.

Não deixe a luz ligada 24 horas por dia na expectativa de produzir salsa olímpica.

Mais não significa automaticamente melhor.


Como colher para continuar a ter ervas

Uma horta de aromáticas existe para ser usada.

Mas a forma como colhemos pode influenciar o crescimento.

Hortelã

Corte caules acima de um nó, em vez de retirar constantemente folhas isoladas. A poda ajuda a estimular ramificação.

Salsa

Comece pelos caules exteriores mais desenvolvidos e corte-os perto da base.

Cebolinho

Corte as folhas deixando alguns centímetros junto à base para permitir nova rebentação.

Manjericão

Quando tiver uma planta saudável, colher as extremidades acima de pares de folhas favorece ramificação e uma forma mais densa.

Tomilho e orégãos

Corte pequenas porções dos caules sem retirar demasiado da planta de uma só vez.

A regra prática é simples: colher regularmente pode ser benéfico; despir a planta completamente não é.


O que fazer quando há ervas a mais

Este é um dos melhores problemas que uma pequena horta pode criar.

Em vez de esperar que murchem, conserve-as.

Pode:

  • Picar algumas ervas e congelá-las
  • Congelar porções em cuvetes apropriadas com água ou azeite, consoante a utilização posterior
  • Secar ervas adequadas à secagem
  • Fazer molhos e preparações para congelar
  • Incorporá-las em manteigas aromatizadas
  • Usá-las em marinadas
  • Preparar pesto e outras pastas de ervas

Hortelã, salsa, cebolinho e manjericão podem perder parte da textura depois de congelados, mas continuam úteis em pratos cozinhados e molhos.

Orégãos, tomilho, louro e alecrim adaptam-se particularmente bem à secagem.

A pequena horta começa assim a participar também na redução do desperdício.


A minha horta aromática para uma cozinha sem sol directo

Se tivesse uma cozinha luminosa, mas sem várias horas de sol directo, começaria apenas com cinco:

Hortelã
Para bebidas, saladas, molhos e cozinha quotidiana.

Salsa
Porque entra em dezenas de pratos e merece estar perto da bancada.

Cebolinho
Pequeno, produtivo e extremamente fácil de integrar nas refeições.

Erva-cidreira
Pelo aroma e pela possibilidade de utilização culinária e doméstica responsável.

Louro
Porque cresce devagar, dura e faz sentido na cozinha portuguesa.

Se a luz fosse bastante boa, acrescentaria depois orégãos.

E só depois experimentaria outras espécies.


Se tiver uma janela com bastante sol

Nesse caso, o jardim pode crescer.

Acrescentaria:

  • Manjericão
  • Tomilho
  • Orégãos
  • Alecrim
  • Sálvia
  • Manjerona

Não porque sejam “melhores”, mas porque finalmente temos condições mais próximas daquelas de que precisam.


Um mini jardim aromático não precisa de ter vinte espécies

Cinco ervas que realmente utiliza são melhores do que quinze vasos mantidos porque uma fotografia no Pinterest nos convenceu de que todas as cozinhas precisam de parecer uma pequena quinta provençal.

Comece pelas ervas que compra regularmente.

Se todas as semanas compra salsa e coentros, essas são candidatas óbvias.

Se nunca usa sálvia, não há qualquer razão para a cultivar só porque fica lindíssima num vaso de terracota.

A horta deve nascer da cozinha.

Não o contrário.

Para começar esta semana

Observe primeiro a luz durante um dia.

Depois escolha apenas três ervas que utiliza verdadeiramente na cozinha. Dê a cada uma o seu vaso com drenagem, coloque-as no ponto mais luminoso adequado e, durante as primeiras semanas, resista à tentação de criar um calendário rígido de rega.

Toque no substrato. Observe as folhas. Colha. Cozinhe.

Se funcionarem, acrescente a quarta.

É uma forma muito pequena de organizar a casa, mas é precisamente esse o ponto: uma casa com intenção constrói-se menos através de grandes projectos e mais através de sistemas simples que conseguimos manter.

Uma horta aromática útil não precisa de impressionar ninguém.

Precisa de chegar ao jantar.

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