O que é o autocuidado e porque é tão importante para a sua saúde?
Autocuidado: cuidar de si não é egoísmo
Há uma ideia que importa desfazer desde o início.
Cuidar de si não é um ato de egoísmo.
Também não é um luxo reservado para quem tem tempo, dinheiro ou uma agenda sem preocupações.
O autocuidado é uma necessidade.
É aquilo que nos permite preservar a saúde física e mental, manter relações mais equilibradas, desempenhar o nosso trabalho com qualidade e enfrentar os desafios da vida com maior disponibilidade.
Quando cuidamos de nós, não deixamos de cuidar dos outros.
Criamos, precisamente, melhores condições para o fazer.
Porque se fala tanto de autocuidado?
Se tem a sensação de que o tema do autocuidado está por todo o lado, não está enganado.
Nos últimos anos, o interesse por este conceito aumentou significativamente. Basta olhar para a evolução das pesquisas realizadas no Google para perceber que cada vez mais pessoas procuram compreender como podem viver de forma mais equilibrada.
Não é difícil perceber porquê.
Vivemos num ritmo acelerado.
Somos constantemente interrompidos por notificações, mensagens, reuniões, e-mails e solicitações de todos os lados.
Há pouco espaço para o silêncio, para o descanso e para a recuperação.
E quando o corpo e a mente não recuperam, o cansaço transforma-se facilmente em ansiedade, irritabilidade ou exaustão.
O que significa, afinal, autocuidado?
A Organização Mundial da Saúde define o autocuidado como a capacidade de cada pessoa promover a sua saúde, prevenir a doença, manter o bem-estar e gerir problemas de saúde, com ou sem o apoio de profissionais.
Esta definição lembra-nos que o autocuidado vai muito além de um banho relaxante ou de um fim de semana de descanso.
Inclui escolhas diárias relacionadas com a alimentação, o sono, a atividade física, a gestão do stress, a procura de ajuda quando necessário e a forma como cuidamos da nossa saúde emocional.
Para mim, o autocuidado é um compromisso diário connosco próprios.
É prestar atenção às nossas necessidades antes que o corpo ou a mente nos obriguem a fazê-lo.
Aprendi esta lição da forma mais difícil
Durante muitos anos coloquei o trabalho acima de quase tudo.
A produtividade parecia sempre mais importante do que o descanso.
Era fácil encontrar tempo para ajudar os outros.
Muito mais difícil era encontrar tempo para cuidar de mim.
Foi durante uma gravidez, aos 42 anos, quando enfrentei uma doença grave, que percebi que o autocuidado não podia continuar a ser adiado.
Parar deixou de ser uma opção.
Passou a ser uma necessidade.
E foi nesse momento que compreendi que cuidar de mim não diminuía aquilo que podia oferecer aos outros.
Pelo contrário.
O autocuidado não é igual para todos
Cada pessoa encontra formas diferentes de recuperar energia, lidar com o stress e manter o equilíbrio.
Para uns, significa caminhar na natureza.
Para outros, passar tempo com amigos, ler um livro, praticar exercício físico, meditar ou simplesmente desligar o telemóvel durante algum tempo.
O que hoje representa autocuidado para si poderá ser diferente daqui a alguns anos.
E isso é natural.
As necessidades mudam.
Nós também.
Diferentes formas de cuidar de si
O autocuidado pode assumir várias dimensões.
Cuidar do corpo
Dormir o suficiente.
Praticar atividade física regularmente.
Alimentar-se de forma equilibrada.
Fazer exames de rotina.
Respeitar os sinais de cansaço.
Cuidar das emoções
Aprender a estabelecer limites.
Pedir ajuda quando necessário.
Cultivar relações saudáveis.
Reservar tempo para aquilo que lhe dá prazer.
Permitir-se descansar sem sentir culpa.
Cuidar da dimensão interior
Independentemente das crenças de cada pessoa, muitos encontram equilíbrio através da espiritualidade, da meditação, do contacto com a natureza, da escrita ou de momentos de silêncio e reflexão.
O importante não é a prática em si.
É o significado que ela tem para quem a vive.
O que nos diz a investigação?
O autocuidado não é apenas uma ideia inspiradora.
Existe evidência científica consistente de que determinados comportamentos estão associados a uma melhor saúde e a uma maior longevidade.
Entre eles destacam-se:
- praticar atividade física regularmente;
- dormir entre sete e nove horas por noite;
- seguir uma alimentação rica em fruta, legumes e alimentos pouco processados;
- manter relações sociais significativas;
- passar tempo em espaços verdes;
- encontrar propósito e significado na vida.
Nenhuma destas práticas, isoladamente, transforma uma vida.
Mas, quando repetidas ao longo do tempo, produzem diferenças importantes na saúde física e mental.
Como começar?
Não tente mudar tudo de uma vez.
O autocuidado não nasce de grandes resoluções.
Constrói-se através de pequenos gestos repetidos diariamente.
Pode começar por:
- dormir um pouco mais cedo;
- caminhar durante vinte minutos;
- desligar o telemóvel antes de se deitar;
- fazer uma pausa para respirar profundamente;
- voltar a um hobby que abandonou;
- marcar uma consulta que tem vindo a adiar;
- reservar tempo para um café com alguém de quem gosta.
Escolha apenas uma mudança.
Quando ela fizer parte da sua rotina, avance para a seguinte.
Uma última reflexão
Há pessoas que, mesmo desejando cuidar de si, sentem que não conseguem.
Se esse é o seu caso, talvez o problema não seja falta de vontade.
Podem existir experiências traumáticas, dificuldades emocionais, depressão, ansiedade ou circunstâncias de vida que tornam o autocuidado particularmente difícil.
Nessas situações, pedir ajuda é, em si mesmo, um ato de autocuidado.
Não precisa de fazer esse caminho sozinho/a.
Cuidar de si é um compromisso
O autocuidado não é um destino.
É uma prática.
Uma escolha que fazemos, todos os dias, através de pequenas decisões.
Nem sempre será perfeito.
Nem sempre será fácil.
Mas é um investimento que produz um dos retornos mais importantes da vida: a possibilidade de viver com mais saúde, mais equilíbrio e maior qualidade de vida.
Porque ninguém consegue cuidar verdadeiramente dos outros durante muito tempo, se se esquecer sistematicamente de cuidar de si.

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