Lady Marmalade

Porque Vamos Embora

Um espelho aceso para quem ainda tem tempo

Vamos embora.

E fica tudo.

Ficam os pratos por lavar. A roupa ainda no estendal. A lista de tarefas por cumprir. Ficam os planos para o próximo verão, as prestações do carro novo que comprámos para mostrar estatuto, o tupperware ainda com restos no frigorífico.

Vamos embora sem sequer fechar as janelas.

E a vida continua.

As mensagens continuam a chegar. As pessoas reagem, levantam-se, seguem em frente. Como se nada fosse. Como se nunca tivéssemos estado aqui.


As dores que já não interessam

As discussões inúteis. As palavras malditas. As ausências prolongadas. As infidelidades silenciosas. Os gestos que nos afastaram de quem nos amava de verdade — tudo isso perde o peso. Porque no fim, percebemos que estávamos ocupados a fugir da felicidade. A evitar o amor que nos queria bem.

E todos aqueles dramas que pareciam gigantes tornam-se pó. O “grande problema” de ontem dissolve-se. Porque, na verdade, não era o mundo que estava caótico. Éramos nós. Os problemas moravam dentro — como feridas mal tratadas. E ficavam connosco. Porque dávamos às coisas mais energia do que elas tinham. Mais importância do que mereciam.


A ilusão de que fazemos falta

Vamos embora e o mundo continua.

O cargo que ocupávamos é rapidamente preenchido.

A roupa de que tanto gostávamos é doada, ou esquecida numa caixa qualquer.

As coisas que não emprestávamos a ninguém passam para mãos alheias.

O que não usamos, alguém usará.

O que acumulámos, alguém há-de deitar fora.

E nós?

Passamos.

Com ou sem saudade.

Com ou sem legado.


E se soubéssemos?

Se soubéssemos, talvez vivêssemos melhor.

Talvez disséssemos mais vezes “gosto de ti”.

Talvez vestíssemos a roupa bonita num dia qualquer.

Talvez déssemos a sobremesa antes do almoço.

Talvez deixássemos de adiar o beijo, a dança, o perdão.

Se soubéssemos que estamos de partida desde o dia em que nascemos…

Talvez ouvissemos mais música.

Talvez ríssemos com mais leveza.

Talvez perdoássemos mais depressa.

Talvez fizéssemos amor com urgência.

Talvez valorizássemos mais quem nos rodeia.

Talvez pedíssemos desculpa sem tanto orgulho.

Talvez escolhêssemos mais tempo e menos dinheiro.

Mais presença e menos plano.

Mais verdade e menos aparência.


Cada dia a mais é um dia a menos

O tempo passa.

E nós passamos com ele.

Um pouco a cada dia.

Um pouco mais a cada segundo.

Vamos embora aos poucos.

Na pressa.

Na ausência.

Na falta de escuta.

Na irritação constante.

Na mania de que tudo é urgente.

Vivemos com pressa — e, ao mesmo tempo, fingimos que temos todo o tempo do mundo.


O que estás a fazer com o tempo que te resta?

Este texto não é um lamento.

É um apelo.

Uma sacudidela gentil.

Um espelho aceso.

Ainda estás aqui.

Ainda tens tempo.

Ainda podes:

– telefonar a quem sentes falta

– preparar aquele jantar especial

– dizer que amas

– dançar sem saber

– rir mais alto

– dormir melhor

– viver mais devagar

Porque a verdade é esta:

Vamos embora.

Todos.

Sempre.

Aos poucos e, um dia, de vez.


Na Lady Marmalade, acreditamos na vida que se vive com intenção, com cuidado, com beleza e com verdade. Receitas com alma, rituais com propósito, palavras que acordam.

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